Por Geraldo Barros e Karlin Saori Ishii
Índice de preços em dólar sobe 30%, mas câmbio limita atratividade e volume cai 2,3%A taxa de câmbio do agronegócio brasileiro (IC-Agro/Cepea) no período de janeiro a agosto deste ano é 14,4% menor que a do mesmo período de 2007.
Essa valorização do Real fez com que a atratividade das exportações do agronegócio (IAT-Agro) crescesse 10,7% na mesma comparação, apesar de os preços em dólar (IPE-Agro/Cepea) terem aumentado 29,85% no mesmo período. Por sua vez, o volume de exportação diminuiu 2,31%.
PRODUTOS
Considerando os preços já internalizados em Reais (ou seja, o IAT), os grandes saltos foram verificados para a soja, com o aumento de preços de óleo (52,35%), da soja em grão (39,13%) e do farelo (37,53%). Aumentos expressivos também foram observados para carnes suína (19,88%), bovina (13,19%) e de frango (12,52%). Os aumentos para café e frutas foram de apenas 4% e 3,19% respectivamente. Há também os casos de queda na atratividade: álcool (-10,53%), açúcar (-16,64%), suco de laranja (-24,95%).
De 2000 a agosto/setembro 2008
Os preços dos produtos exportados pelo agronegócio brasileiro em dólares (IPE-Agro/CEPEA) na parcial deste ano – até final de setembro – são 66,3% maiores que a média do ano de 2000 (considerada base 100), ao passo que o volume exportado do agronegócio, dado pelo IVE-Agro/CEPEA, aumentou 119% no período. O preço em reais (IAT-Agro/CEPEA) que mede a atratividade das exportações (valor em dólar multiplicado pelo câmbio efetivo do agro) cresceu 21,68% - neste caso, comparando-se a parcial de 2008 até final de agosto ao ano de 2000. O aumento da atratividade ficou bem abaixo do crescimento do preço devido à valorização do Real. A taxa de câmbio efetiva real do agronegócio (IC-Agro/CEPEA) valorizou 26% de 2000 até agosto – não estão assimiladas, portanto, as desvalorizações cambiais recentes.
INDICADORES REGIONAIS
Só Centro-Oeste e Nordeste aumentam em 3% volume exportado
Comparando o desempenho da parcial deste ano (até setembro) com o mesmo período do ano passado, verifica-se que as regiões Norte, Sul e Centro-Oeste tiveram os melhores desempenhos exportadores quando se analisa o preço em dólares - acima do nível nacional (29,85%). Quanto ao volume exportado, empresas do Nordeste e Centro-Oeste aumentaram ligeiramente os embarques, ao passo que as demais diminuíram a quantidade exportada, com destaque para a retração do Sudeste e Norte. Desde o ano 2000, o Índice de Preços (em dólar) de Exportação do Agronegócio Regional (IPE-Agro/CEPEA/Região) segue em alta em todas as regiões. As regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste tiveram aumentos de preços acima da média nacional (66,3%). Os produtos exportados por empresas do Norte tiveram aumento de 150% em dólar no período; o reajuste para os embarques do Centro-Oeste foi de 103%; para os do Nordeste, de 86% e para os do Sul, de 83%. Já a região Sudeste, que é uma grande região exportadora, teve aumentos de preços menores que a nacional, de 30,2% comparando-se 2008 (até setembro) a 2000. Quando se observa o Índice de Volume Exportado pelo Agronegócio, verifica-se que a região Centro-Oeste apresentou uma evolução bem acima da nacional, que é 119%. O volume embarcado por empresas do Centro-Oeste aumentou 350% de 2000 para 2008 (até setembro). A região Nordeste também teve um aumento acima do nacional, de 148%. Já as demais regiões tiveram crescimentos ligeiramente abaixo do nível nacional.
CONCLUSÕES
O agronegócio continua se destacando nas exportações brasileiras. O volume exportado cresceu de forma acelerada até 2005, com um salto em 2007. A conhecida compensação entre preços em dólares e câmbio vem se manifestando até aqui: até 2004 o câmbio manteve-se desvalorizado e o os preços deprimidos; a seguir essas posições se invertem. Esse efeito tende a estabilizar relativamente os preços de exportação internalizados. Considerando apenas o último ano, observou-se valorização cambial, aumento de preços internacionais e pequena queda do volume exportado. Soja e derivados e as carnes têm sido as commodities mais beneficiadas em termos de preços de exportação internalizados. Etanol, açúcar e suco de laranja estão na ponta perdedora. Esse resultado causa impacto enviesado regionalmente: as exportações têm sido bem menos favoráveis ao Sudeste do que às demais regiões. Não se pode alegar, portanto, que exportar não contribua para um crescimento nacional mais equilibrado. A crise financeira iniciada nos países desenvolvidos tende a espalhar-se para a maioria do países. No Brasil, a queda das cotações das commodities tem sido compensada, pelo menos até final e outubro/08, pelo aumento recente do dólar. A ação do Banco Central voltada para a recuperação da moeda nacional deve, pois, ter esse efeito compensação em conta: uma excessiva (e artificial) valorização do Real pode deprimir ainda em demasia os preços internos das commodities. Os produtores rurais brasileiros já se acham muito pressionados pela queda já havida nas cotações e pela escassez de crédito, outro efeito da crise.